sábado, 29 de agosto de 2015

As Cinco Coisas que o Sangue Traz - Billy Graham

     A Bíblia ensina que, antes de mais nada, o sangue redime. "Sabendo que não foi mediante cousas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como do cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo" (1 Pedro, 1: 18-19). Não apenas fomos resgatados das mãos do diabo, mas também das leis transmitidas a Moisés por Deus. A morte de Cristo na cruz me isenta dos preceitos da lei, A lei me condenou, mas Cristo satisfez cada exigência. Todo o ouro, prata e pedras preciosas da terra nunca poderiam ter me resgatado. O que não puderam fazer, a morte de Cristo fez. Redimir significa "adquirir de novo". Fomos vendidos ao diabo a troco de nada, mas Cristo nos resgatou e nos adquiriu de novo.

     Segundo, o sangue nos aproxima. "Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo" (Efésios, 2:13). Quando estávamos "separados da comunidade Israel e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, sem Deus no mundo", Jesus Cristo nos aproxima de Deus. "Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus" (Romanos, 8:1). O pecador redimido nunca terá de enfrentar o julgamento do Deus Todo-Poderoso.  Cristo já tomou para Si este julgamento.

     Terceiro, ele faz a paz. "E que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as cousas, quer sobre a terra, quer nos céus" (Colossenses, 1:20). O mundo nunca conhecerá a paz até que a encontre na cruz de Jesus Cristo. Você nunca conhecerá a paz até que a encontre a cruz de Jesus Cristo. Você nunca conhecerá a paz com Deus, a paz da consciência, a paz de espírito e a paz da alma até postar-se aos pés da cruz e identificar-se com Cristo pela fé. Ali reside o segredo da paz. Este segredo é a paz com Deus.

     Quarto, ele justifica. "Muito mais agora, sendo justificado pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira" (Romanos, 5:9). O sangue transforma a posição do homem perante Deus. É uma transformação de culpa e condenação em perdão e absolvição. O pecador perdoado não é como prisioneiro libertado que cumpriu pena e, é solto, porém sem direitos de cidadania. O pecador arrependido, perdoado pelo sangue de Jesus Cristo, recupera a cidadania plena. "Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus?´É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu, ou antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós" (Romanos, 8: 33-34).

     Quinto, ele purifica. "Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado" (1 João, 1:7). A palavra chave neste versículo é todo. Não parte de nossos pecados, mas todos os pecados. Todas as mentiras que você já disse, todas as mesquinharias que já fez, a hipocrisia, os pensamentos libidinosos - todos são purificados pela morte de Cristo. 



Na próxima semana estaremos publicando do mesmo autor: 

"Tal Como Sou"       

 

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Três Coisas na Cruz - Billy Graham

     Na cruz de Cristo, vejo três coisas; primeiro, uma descrição da dimensão do pecado humano. Não culpe as pessoas daquela época por crucificar Cristo. Você e eu somos tão culpados quanto elas. Não foram as pessoas nem os soldados romanos que o pregaram à cruz - foram os seus pecados e os meus pecados que o obrigaram a se voluntariar para esta morte.


     Segundo, na cruz vejo o imenso amor de Deus. Se algum dia duvidar do amor de Deus, contemple a cruz profunda e demoradamente, pois nela você encontra a expressão do amor de Deus.


     Terceiro, na cruz está o único caminho da salvação. Jesus disse: "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim" (João. 14:16). Não há possibilidade de ser salvo do pecado e do inferno, senão pela identificação com o Cristo da cruz. Se houvesse algum outro meio de nos salvar, Ele o teria encontrado. Se a reabilitação ou a vida moral e ética perfeita nos salvasse, Jesus nunca teria morrido. Um substituto tinha que tomar nosso lugar. Os homens não gostam de falar disto. Não gostam de ouvir isto porque fere o seu orgulho. Amesquinha o seu ego.


     Muitas pessoas peguntam: "Acaso não serei salvo vivendo pela Regra de Ouro? Ou seguindo os preceitos de Jesus? Ou levando a vida ética que Jesus ensinou?" Mesmo que pudéssemos ser salvos levando a vida que Jesus ensinou, continuaríamos sendo pecadores. Continuaríamos a fracassar, pois nenhum de nós, desde o nascimento até a morte, jamais viveu a vida que Jesus ensinou. Nós fracassamos. Transgredimos. Desobedecemos. Pecamos. Portanto, o que faremos a respeito deste pecado? Há apenas uma coisa a fazer, que é levá-lo à cruz e encontrar o perdão.



     Há muitos anos, o Rei Charles V  tomou emprestada uma grande quantia de um comerciante na Antuérpia. O prazo de pagamento da dívida venceu, mas o Rei estava falido e não pôde pagar. O comerciante ofereceu um grande banquete ao Rei. Quando todos os convidados se sentaram, e antes que a comida fosse servida, o comerciante colocou diante dele, sobre a mesa, uma grande travessa em chamas. Então, retirando do bolso o comprovante da dívida, ele o levou às chamas até que se reduzisse a cinzas.


     Da mesma forma todos nós contraímos uma dívida com Deus. O prazo venceu, mas não conseguimos pagar. Há dois mil anos, Deus convidou um mundo de moral corrupta aos pés da cruz. Ali, Deus sustentou seus pecados e os meus nas chamas até que o último vestígio de nossa culpa se consumisse.

     A Bíblia diz: "Sem derramamento de sangue não há remissão" (Hebreus,9:22). Muitas pessoas me dizem: "Que horror! Não está querendo dizer que acredita em uma religião sanguinária!" Outras pensam consigo mesmas: "Não entendo por que Deus exige sangue." Muitas pessoas se questionam: "Não entendo por que Cristo teve que morrer por mim." Hoje, a ideia do derramamento de sangue de Cristo está se tornando antiquada e fora de moda em muitas pregações. A característica marcante do cristianismo é a remissão do sangue. Sem ela não podemos ser salvos. O sangue é na verdade um símbolo da morte de Cristo.

     Em época recente, estava parado junto à mesa de recepção da Clínica Mayo, em Rochester. Ali em uma pequena caixa, estavam algumas pastas de papéis intituladas "Um presente de sangue", com letras vermelhas formando uma enorme gota de sangue. No início, pensei que fosse um opúsculo do evangelho, mas, ao observar com mais atenção, vi que era um apelo às pessoas para que ajudassem no programa do sangue. O sangue poderia significar a diferença entre a vida e a morte para alguém doente no hospital. Todo aquele que já precisou receber uma transfusão de sangue só pode encarar este sangue com gratidão. Talvez alguns digam que tirar sangue é de certa forma revoltante, mas doá-lo é uma benção!

     Permanece o fato de que o sangue representa a vida, como diz o Levítico, 17:11: "Porque a vida da carne está no sangue. Eu vo-lo  tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas." Portanto, o sacrifício do sangue permeia todo o Velho Testamento - um prenúncio ou um símbolo do perfeito sacrifício de Cristo.  



Pedindo desculpas por atrasar em uma semana as postagens.

Na próxima semana estaremos postando, do mesmo autor, o título:
As Cinco Coisas que o Sangue Traz 

sábado, 8 de agosto de 2015

O Pecador ou o Substituto - Billy Graham

     Deus exige a morte, quer para o pecador, quer para o substituto! Gabriel e dez legiões de anjos aguardavam às margens do universo, as espadas desembainhadas. Bastaria um olhar Seu e teriam lançado ao inferno as multidões que bradavam iradas. Os pregos nunca O prenderam - eram as cordas do amor que prendiam mais do que qualquer prego que o homem pudesse inventar  "Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores" (Romanos, 5:8).

     Por você! Por mim! Ele carregou nossos pecados em Seu corpo na cruz. Como disse alguém: "Contempla-O na cruz, curvando a cabeça sagrada e encerrando no coração, no terrível isolamento de Deus, o fruto dos pecados do mundo, e vê como, a partir da aceitação do fruto do pecado, Ele cria aquilo que não exige para Si, mas para distribuir àqueles cujo lugar Ele tomou." Desconcertados na presença deste sofrimento, sentindo nossa incapacidade de entender ou de explicar e conscientes em demasia do poder e da grandeza que nos dominam, ouvimos as palavras que Lhe saem dos lábios em seguida: "Está consumado."

     Mas o sofrimento físico de Jesus Cristo não foi o verdadeiro sofrimento. Muitos homens morreram antes Dele. Outros ficaram pregados à cruz por mais tempo que Ele. Muitos se tornaram mártires. O terrível sofrimento de Jesus Cristo foi Sua morte espiritual. Ele atingiu o fruto último do pecado, mergulhou na mais profunda dor, quando clamou: "Deus meu, por que me abandonaste?" Este grito foi a prova de que Cristo, fazendo-se pecado por nós, teve a morte física e, com isto, perdeu toda a noção da presença do Pai naquele momento. Sozinho na hora suprema da história da humanidade, Cristo proferiu estas palavras! Fez-se luz para que tivéssemos uma noção do que estava suportando, mas a luz era tão ofuscante, como diz G. Campbell Morgan, "que olhar algum a suportaria." As palavras foram proferidas, como definiu muito bem o Dr. Morgan, "para que os homens possam saber quantas coisas existem que talvez desconheçam."

     Aquele que não conheceu pecado, Ele o fez pecado por nós, para que nele fôssemos feitos justiça de Deus (Gálatas, 3:13, Marcos, 15:34, 2 Corintios, 5:21). Na cruz, Ele se fez pecado. Foi desamparado por Deus. Por não conhecer o pecado, há um valor incalculável na pena que sofreu, uma pena que não precisava pagar. Se ao carregar em Seu corpo o pecado, Ele criou um valor de que não precisava, para quem foi criado o valor?

     De que modo este valor foi conquistado na profundeza das trevas, o homem nunca saberá. Sei apenas de uma coisa - Ele carregou meus pecados em Seu corpo na cruz. Foi pregado onde eu deveria ter estado. A parte que me cabia das dores do inferno foi descarregada Nele, e já posso ir para o paraíso e merecer o que não é meu, mas Seu por direito. Todos os prenúncios, as ofertas, os enigmas e símbolos do Velho Testamento se concretizaram. Os sacerdotes não precisam mais estar uma vez por ano no Santo dos Santos. O sacrifício se consumou.

     Agora que a base da redenção foi lançada, o pecador de consciência pesada só precisa acreditar no Filho para ter paz com Deus. "Porque Deus amou  o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João, 3:16).



NB: Na próxima semana estaremos publicando do mesmo autor:
       Três Coisas na Cruz 

   

domingo, 2 de agosto de 2015

A Derrota do Diabo - Billy Graham

      Ele avançava supremo, glorioso e com grande antevisão rumo à missão que viera realizar. Viera ao mundo para salvar os homens pecadores. Viera para aplacar a ira de Deus. Viera para derrotar em definitivo o diabo. Viera para vencer o inferno e a morte. Havia apenas um meio de fazer isto. Havia apenas um caminho a seguir.

     Sua morte fora profetizada milhares de anos antes. Primeiro, como vimos, no jardim do Éden; e, depois, em sermão, história e profecia, a morte de Cristo foi relatada séculos antes. Abraão previa Sua morte quando o cordeiro foi sacrificado. As crianças de Israel simbolizavam sua morte no cordeiro abatido. Toda vez que o sangue era derramado em um altar judeu, representava o Cordeiro de Deus que viria algum dia e venceria o pecado. Davi profetizou com detalhes sua morte em mais um Salmo. Isaías dedicou capítulos inteiros à predição dos detalhes de Sua morte.

     Jesus Cristo revelou que era capaz de dar sua vida quando disse: "O bom pastor dá a vida pelas ovelhas" (João, 10:11). Disse ainda: "Assim importa que o Filho do homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna" (João, 3:14-15). Jesus Cristo encarara a possibilidade da cruz ainda na eternidade. Durante os séculos que antecederam Seu nascimento, Ele sabia que o dia de Sua morte se aproximava com rapidez. Ao nascer de uma virgem, nasceu com a sombra da cruz em Seu caminho. Assumira um corpo humano a fim de poder morrer. Do berço à cruz, Seu propósito era morrer.

     Alguém descreveu que Ele sofreu como homem algum jamais sofreu: " A noite em Getsêmani, iluminada por tochas flamejantes, assiste ao beijo do traidor, à prisão, ao julgamento perante o sumo sacerdote, à hora de espera, ao palácio do governador romano, à jornada ao palácio de Herodes, ao tratamento rude dos soldados cruéis de Herodes, às horríveis cenas em que Pilatos tentava salvá-Lo, enquanto os sacerdotes e o povo clamavam por Seu sangue, ao flagelo, às multidões que gritavam, ao caminho de Jerusalém ao Gólgota, aos pregos em Suas mãos, ao grande prego perfurando Seus pés, à coroa de espinhos na testa, aos gritos sarcásticos e zombeteiros dos dois ladrões ao Seu lado: "Salvou os outros, a si mesmo não pode salvar-se."

     As pessoas me perguntam algumas vezes por que Cristo morreu tão rápido na cruz, em seis horas, enquanto outras vítimas agonizaram na cruz durante dois, três dias - ou mais. Ele estava fraco e exausto quando ali chegou. Fora flagelado, estava fisicamente esgotado. Mas quando Cristo morreu, o fez por vontade própria. Escolheu o momento exato para expirar.

     Ali estava Ele, suspenso entre o céu e a terra. Tendo sofrido sem descrição, não proferiu queixa ou súplica, mas apenas uma afirmação que nos revela em duas palavras algo da terrível dor física que sofreu, ao dizer: "tenho sede."

     Um poeta desconhecido expressou este sofrimento da seguinte forma:

                        Mas o que O tortura mais que as dores
                        Na cruz, era a sede intensa e divina
                        Que ansiava pelas almas dos homens,
                        Deus amado - e uma delas era a minha!