Ele avançava supremo, glorioso e com grande antevisão rumo à missão que viera realizar. Viera ao mundo para salvar os homens pecadores. Viera para aplacar a ira de Deus. Viera para derrotar em definitivo o diabo. Viera para vencer o inferno e a morte. Havia apenas um meio de fazer isto. Havia apenas um caminho a seguir.
Sua morte fora profetizada milhares de anos antes. Primeiro, como vimos, no jardim do Éden; e, depois, em sermão, história e profecia, a morte de Cristo foi relatada séculos antes. Abraão previa Sua morte quando o cordeiro foi sacrificado. As crianças de Israel simbolizavam sua morte no cordeiro abatido. Toda vez que o sangue era derramado em um altar judeu, representava o Cordeiro de Deus que viria algum dia e venceria o pecado. Davi profetizou com detalhes sua morte em mais um Salmo. Isaías dedicou capítulos inteiros à predição dos detalhes de Sua morte.
Jesus Cristo revelou que era capaz de dar sua vida quando disse: "O bom pastor dá a vida pelas ovelhas" (João, 10:11). Disse ainda: "Assim importa que o Filho do homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna" (João, 3:14-15). Jesus Cristo encarara a possibilidade da cruz ainda na eternidade. Durante os séculos que antecederam Seu nascimento, Ele sabia que o dia de Sua morte se aproximava com rapidez. Ao nascer de uma virgem, nasceu com a sombra da cruz em Seu caminho. Assumira um corpo humano a fim de poder morrer. Do berço à cruz, Seu propósito era morrer.
Alguém descreveu que Ele sofreu como homem algum jamais sofreu: " A noite em Getsêmani, iluminada por tochas flamejantes, assiste ao beijo do traidor, à prisão, ao julgamento perante o sumo sacerdote, à hora de espera, ao palácio do governador romano, à jornada ao palácio de Herodes, ao tratamento rude dos soldados cruéis de Herodes, às horríveis cenas em que Pilatos tentava salvá-Lo, enquanto os sacerdotes e o povo clamavam por Seu sangue, ao flagelo, às multidões que gritavam, ao caminho de Jerusalém ao Gólgota, aos pregos em Suas mãos, ao grande prego perfurando Seus pés, à coroa de espinhos na testa, aos gritos sarcásticos e zombeteiros dos dois ladrões ao Seu lado: "Salvou os outros, a si mesmo não pode salvar-se."
As pessoas me perguntam algumas vezes por que Cristo morreu tão rápido na cruz, em seis horas, enquanto outras vítimas agonizaram na cruz durante dois, três dias - ou mais. Ele estava fraco e exausto quando ali chegou. Fora flagelado, estava fisicamente esgotado. Mas quando Cristo morreu, o fez por vontade própria. Escolheu o momento exato para expirar.
Ali estava Ele, suspenso entre o céu e a terra. Tendo sofrido sem descrição, não proferiu queixa ou súplica, mas apenas uma afirmação que nos revela em duas palavras algo da terrível dor física que sofreu, ao dizer: "tenho sede."
Um poeta desconhecido expressou este sofrimento da seguinte forma:
Mas o que O tortura mais que as dores
Na cruz, era a sede intensa e divina
Que ansiava pelas almas dos homens,
Deus amado - e uma delas era a minha!
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