sábado, 28 de novembro de 2015

O que É Arrependimento - Billy Graham

Haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento. LUCAS, 15:7

          VIMOS agora que Jesus exigia a conversão. Vimos também que os três elementos da conversão são o arrependimento, a fé e a regeneração. Pode-se discutir a ordem destes elementos, mas concorda-se em geral que eles provavelmente ocorrem ao mesmo tempo. Quer você esteja consciente ou não, naquele momento crítico de conversão, estes três elementos ocorrem ao mesmo tempo.

          Se o arrependimento pudesse ser descrito em duas palavras, eu usaria as palavras "voltar atrás". Voltar atrás em que?, pergunta você. A resposta pode ser dada em uma palavra - "pecado". A Bíblia ensina, como já vimos, que o pecado é uma transgressão da lei. O pecado é a rejeição de toda a autoridade e a negação de toda obrigação para com Deus. O pecado é aquele princípio do mal que entrou no Jardim do Éden, quando Adão e Eva foram tentados e sucumbiram. Desde a desgraça do Éden, este veneno do mal vem afetando todos os homens, de modo que "todos pecaram", e "não há justo, nem sequer um". O pecado destruiu nossa relação com Deus e, em consequência, perturbou nossas relações mútuas e até com nós mesmos.

          Não é possível ter paz com Deus, paz uns com os outros no mundo ou mesmo paz interior, até que se faça algo quanto àquela "coisa abominável que Deus odeia". Não só sabemos que devemos renunciar e dar as costas ao pecado, mas também que devemos renunciar aos pecados - plural. Devemos renunciar à influência maligna do mundo, à carne e ao diabo. Não pode haver diálogo algum com o inimigo, nem barganha, nem conciliação, nem hesitação. Cristo exige lealdade total.

O arrependimento e a Fé

          Mas, de novo, o princípio do amor está envolvido, pois quando você se entregar de forma completa e absoluta a Jesus Cristo, não desejará fazer as coisas que Ele detesta e abomina. Virá então a renúncia automática a todos os pecados de sua vida quando se entregar a Ele pela fé. Portanto, o arrependimento e a fé caminham de mãos dadas. Você não pode arrepender-se de modo genuíno sem a fé salvadora e não pode ter a fé salvadora sem arrepender-se de modo genuíno.

          A palavra arrependimento, infelizmente, está hoje ausente do púlpito em geral. É uma palavra muito impopular. O primeiro sermão de Jesus foi: "Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus"(Mateus, 4:17). Era Deus que falava através de Seu Filho. Jesus veio ao mundo com o coração cheio de amor e compaixão, mas começou de imediato a atacar a culpa e os pecados dos homens. Conclamou os homens a reconhecer sua culpa e rejeitar a iniquidade. Disse que o arrependimento era necessário antes que pudesse derramar Seu amor, graça e misericórdia sobre os homens. Jesus recusava-se a desculpar a iniquidade. Insistia no exame de consciência, em uma completa reviravolta. Insistia em uma nova disposição de espírito antes que revelasse o amor de Deus.

          Algumas pessoas procuraram Jesus, um dia, e lhe falaram sobre certos galileus, cujo sangue Pilatos misturara aos sacrifícios, enquanto as legiões romanas sufocavam a rebelião judaica. Relataram também que a torre de Siloé matara muitas pessoas. Em resposta, Jesus declarou: "Pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus... Não eram, eu vo-lo afirmo; se, porém, não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis" (Lucas, 13:2-3). Em outras palavras, Jesus afirmou que, quer os homens morram por violência, acidente ou morte natural, seus destino é o mesmo, a não ser que se voltem para Deus em sinal de arrependimento. Até que isto seja feito, a fé é absolutamente impossível. Isto não limita a graça de deus, mas o arrependimento abre caminho para a graça de Deus.  

sábado, 21 de novembro de 2015

A Diferença Entre a Crença Intelectual e a Conversão - Billy Graham

          Em João, há uma descrição das centenas de pessoas que estavam seguindo Jesus no início do Seu ministério. Diz a Bíblia que "muitos, vendo os sinais que ele fazia, creram no seu nome; mas o próprio Jesus não se confiava a eles" (João , 2:23-24) porque conhecia os corações de todos os homens. Por que Jesus não se confiaria a eles? Ele sabia que acreditavam com as mentes e não com os corações.

          Existe uma grande diferença entre a crença intelectual e a conversão total que salva a alma. A bem da verdade, deve ocorrer uma mudança em nossa opinião e aceitação intelectual de Cristo.

         Há milhares de pessoas que passaram por alguma experiência emocional a que se referem como conversão, mas que nunca se converteram na realidade a Cristo. Cristo exige uma mudança em seu modo de vida - e caso sua vida não esteja de acordo com sua experiência, então você tem razão para duvidar de sua experiência! Na certa ocorrerá uma mudança nos elementos que constituem a emoção quando você se entregar a Cristo - o ódio e o amor estarão envolvidos, porque você começará a odiar o pecado e a amar a justiça. Suas afeições sofrerão uma transformação revolucionária. Sua devoção a Ele não conhecerá fronteiras. Seu amor por Ele não pode ser descrito.

          Mas mesmo que você tenha passado por uma aceitação intelectual de Cristo e uma experiência emocional - isto ainda não é suficiente. É preciso haver a conversão da vontade! É preciso haver aquela determinação de obedecer e seguir Cristo. sua vontade deve se submeter à vontade de Deus. O eu deve ser pregado à cruz. Muitos talvez se identifiquem com a jovem que nos escreveu a esse respeito: "Mas eu não me entrego fácil." Nenhum de nós se entrega, tampouco. Nosso principal desejo deve ser agradá-Lo. É uma entrega total.

          Na conversão, aos pés da cruz, o Espírito Santo o faz perceber que é pecador. Ele dirige sua fé ao Cristo que morreu em seu lugar. Você precisa abrir o coração e deixá-Lo entrar. É neste exato momento que o Espírito Santo realiza o milagre do renascimento. Você de fato se torna uma nova criatura moral. Ocorre a implantação da natureza divina. Você se torna participante da vida de Deus. Jesus Cristo, através do Espírito de Deus, passa a residir em seu coração.

          A conversão é tão simples que até uma criancinha pode se converter, mas é também tão profunda que, no decorrer da história, os teólogos refletiram sobre a extensão de seu significado. Deus tornou o caminho da salvação tão claro que "quem quer que por ele caminhe não errará, nem mesmo o louco" (Isaías, 35:8). Ninguém jamais será excluído do reino de Deus por não ter tido a capacidade de compreender! Os ricos e os pobres, os sofisticados e os simples - todos podem se converter.

          Em resumo, conversão significa simplesmente "mudar". Quando uma pessoa  se converte, pode continuar a amar os objetos que amava antes, mas as razões para amá-los serão diferentes. Uma pessoa convertida pode abandonar os objetos de afeição anteriores. Pode até mesmo afastar-se de seus antigos companheiros, não porque lhe desagradem, pois muitos são honestos e amáveis, mas porque se sente mais atraída pela amizade de outros cristãos que pensam da mesma forma.

          A pessoa convertida amará o bem que detestou um dia e detestará o pecado que um dia amou. Até mesmo seus sentimentos com relação a Deus mudarão. Onde no passado pode ter sido negligente com Deus, demonstrando com constância sentimentos de medo, pavor e antagonismo com relação a Ele, ela agora mergulha em um estado de completa reverência, confiança, obediência e devoção. Sentirá um medo reverente de Deus, uma gratidão constante a Deus, uma dependência de Deus e uma nova lealdade a Ele. Antes da conversão, pode ter existido o prazer da carne. Os objetivos culturais e intelectuais ou o dinheiro podem ter tido importância suprema e primordial. Agora, a justiça e as santidades do coração estarão acima de todas as outras preocupações, pois agradar a Cristo será o único objetivo que de fato importa. Em outras palavras, conversão significa uma mudança completa na vida de um indivíduo.        

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

A Psicologia Examina a Conversão - Billy Graham

     Durante muitos anos, a psicologia deixou em paz a conversão e a experiência religiosa. Contudo, nos últimos cinquenta anos, os psicólogos vêm estudando todo o processo da conversão. Ele mostraram que a conversão não é uma experiência cristã apenas, mas é comum também a outras religiões, e que não é necessariamente um fenômeno religioso, mas ocorre também em esferas não religiosas. Estudiosos da psicologia concordaram que a conversão engloba três etapas: primeiro, um sentido de perplexidade e inquietude; segundo, um clímax e um momento de transformação; e, terceiro, um relaxamento, marcado por tranquilidade e alegria.

     Em um artigo intitulado "Por que é bom sentir-se tão mal," o New York Times (29 de novembro de 1983) salientou: "A culpa, a angústia por sentirmos que não conseguimos alcançar os padrões que nos impusemos, é a guardiã de nossa bondade. É necessária ao desenvolvimento da consciência infantil e à inibição do comportamento anti-social." O artigo prossegue explicando: "Na infância, o bom comportamento é reforçado principalmente através do medo culposo produzido pela atitude dos pais, o medo do castigo  por violar um código de comportamento. Mas, à medida que a criança cresce, um 'ideal de ego' - uma forma da figura paterna - torna-se internalizado como um modelo de comportamento correto..., e, na vida adulta, as pessoas buscam punir-se quando traem esse modelo. O Dr. Gaylin considera a falta de modelos de papéis apropriados ou de figuras paternas uma das causas da onda crescente de comportamento anti-social livre de culpa entre os jovens hoje." É este sentimento de culpa que cria a ânsia por algo melhor - a ser encontrado apenas em uma relação correta com Cristo.

     Os psicólogos dizem que há dois tipos de conversão. Um deles é acompanhado por uma violenta sensação de pecado, e o outro, por um sentimento de imperfeição, uma luta por uma vida mais ampla e um desejo de iluminação espiritual.

     O valor dos estudos psicológicos sobre a conversão foi subestimado. Não podemos colocá-los de lado e ignorá-los. Os psicólogos esclareceram muito, mas a maioria deles reluta em aceitar a conversão bíblica como uma experiência sobrenatural.

     Na verdade, a conversão bíblica envolve três etapas - duas delas ativas e uma passiva. Na conversão ativa, estão envolvidos o arrependimento e a fé. O arrependimento é a conversão visto do ponto de partida, a rejeição da vida anterior. A fé indica o momento objetivo da conversão, o retorno a Deus. A terceira etapa, que é passiva, podemos chamar de vida nova  ou regeneração, mais conhecida como "renascimento", cujo significado literal é nascer na família de Deus.

     Agora Jesus disse que para chegar ao paraíso é preciso se converter. Não fui eu quem disse isto-foi Jesus! Não é a opinião de um homem - é a opinião de Deus! Jesus disse: "Se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus" (Mateus 18:3).

     A verdadeira conversão envolverá a mente, a afeição e a vontade. Há milhares de pessoas que foram sem seu intelecto convertidas a Cristo. Elas acreditam na Bíblia. Acreditam em tudo que diz sobre Jesus, mas nunca foram de fato convertidas a Ele. A Bíblia nos diz que "até os demônios creem, e tremem" (Tiago, 2:19).    

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

A Natureza da Conversão - Billy Graham

     A conversão pode assumir muitas formas diferentes. O modo pelo qual se dá depende muito do indivíduo - do temperamento, do equilíbrio emocional, do meio ambiente, de sua situação e modo de vida anteriores. A conversão pode se seguir a uma grande crise na vida de uma pessoa; ou pode ocorrer quando se perde todos os valores anteriores, quando se experimenta uma grande decepção, quando se perde a sensação de poder gerada por bens materiais, ou o objeto de nossa afeição. Um homem ou uma mulher que concentrou toda sua atenção em lucros financeiros, negócios ou prestígio social, ou depositou toda a sua afeição em uma única pessoa, experimenta uma devastadora sensação de perda quando aquilo que deu sentido à sua vida lhe é negado.

     Nesses momentos trágicos, em que o indivíduo se encontra despojado de todo poder terreno, quando o ser amado está irremediavelmente perdido, ele reconhece que está de fato terrível e por completo só, Neste momento, o Espírito Santo pode fazer a venda espiritual cair de olhos, e ele enxerga com clareza pela primeira vez, Reconhece que Deus é a única fonte de poder verdadeiro e a única nascente perene de amor e comunhão.

     Ou, então, a conversão pode ocorrer no auge da prosperidade ou do poder pessoal - quando tudo ocorre bem e as bençãos abundantes de Deus foram concedidas com generosidade a você. A própria bondade de Deus pode levá-lo ao reconhecimento de que deve tudo a Ele; assim, a própria bondade de Deus o conduz ao arrependimento (Romanos, 2:4).

     A conversão em um momento assim pode ser tão repentina e notável como a conversão de Paulo no caminho para Damasco.

     Nem todas as conversões resultaram de uma inesperada e ofuscante iluminação da alma a que chamamos de uma conversão de crise. Há muitas outras conversões que só se dão após um conflito longo e difícil com a motivação íntima do indivíduo. Com outros, a conversão ocorre no clímax de um longo período de conscientização gradual de suas necessidades e da revelação dos desígnios da salvação. Este processo prolongado resulta na aceitação consciente de Cristo como Salvador pessoal e na entrega da vida a Ele.

     Em sua autobiografia espiritual, C.S. Lewis descreve sua experiência de conversão:

     Você deve me imaginar sozinho naquela sala na faculdade de Magdalen, noite após noite, sentindo,      sempre que meu pensamento se desviava por um segundo do trabalho, a aproximação firme e              implacável Daquele que eu, com toda a sinceridade,não desejava encontrar. Aquilo que eu mais            temia enfim me acontecera, No segundo trimestre de 1929, me dei por vencido, admiti que Deus          era Deus, ajoelhei e orei: talvez, naquela noite, o convertido mais relutante e desanimado de toda a      Inglaterra. Não vi então o que é agora a coisa mais óbvia e radiosa; a Divina humildade que aceita        um convertido mesmo nestas condições. O Filho Pródigo ao menos voltou para casa com os                próprios pés. Mas quem pode venerar condignamente um Amor que abre os portões a um pródigo        ressentido, que entra chutando, lutando e lançando os olhos em todas as direções em busca de uma      oportunidade de fuga? As palavras compelle intrare, "Compila-os a entrar,"             foram tão mal      empregadas por homens cruéis que estremecemos ao ouvi-las; porém, entendidas corretamente,elas      medem a profundidade da misericórdia Divina. A dureza de Deus é mais suave que a brandura dos      homens, e Sua coação é nossa libertação.*

     Podemos dizer, portanto, que a conversão talvez seja um acontecimento instantâneo, uma crise em que a pessoa recebe uma clara revelação do amor de Deus; ou pode ser uma revelação gradual acompanhada de um clímax no momento em que se atravessa a linha entre a escuridão e a luz, entre a morte e a vida eterna.

     Nem sempre acontece com esta exatidão, Minha esposa, por exemplo, não se lembra do dia nem da hora precisa em que se tornou cristã, mas tem certeza de que houve tal momento em sua vida, um momento em que ela de fato atravessou a linha. Muitos jovens que cresceram em lares cristãos e tiveram o privilégio de uma educação cristã, não têm a consciência do momento em que confiaram sua vida a Cristo. Alguém disse que podemos não saber o momento exato em que o sol nasce - mas na certa sabemos quando ele já nasceu. Outros lembram com nitidez quando fizeram  sua profissão de fé. As histórias de conversões do Novo Testamento indicam que a maioria delas foi do tipo dramático e de crise.

* Extraído de Surprised by Joy: The Shape of my Early Life (Surpreendido pela alegria: a forma da minha vida antiga) Copyright 1966 por HARCOURT, BRACE, JOVANOVICH, pp, 228.229.