
Um dos primeiros caminhos que escolhemos chamava-se "liberdade política". Proporcione a todos liberdade política, dissemos, e o mundo transformar-se-á em um lugar feliz. Vamos escolher nossos próprios chefes de governo e teremos o tipo de governo que tornará nossa vida digna de ser vivida. Assim, conseguimos a liberdade política, mas não aquele mundo melhor. Nossos jornais diários falam de corrupção em altos cargos, de favoritismo, de exploração, de hipocrisia, que igualam e por vezes superam o despotismo dos reis da antiguidade. Liberdade política é uma coisa preciosa e importante, mas não pode nos proporcionar por si só o tipo de mundo que ansiamos.
Havia um outro caminho muito promissor chamado "educação", e muitos depositaram nele toda a sua fé. A liberdade política aliada à educação resolverá o problema, disseram, e todos nos precipitamos desenfreados pelo caminho educacional. Durante muito tempo, ele nos pareceu um caminho brilhante, bem iluminado e sensato, e nós o percorremos com ansiedade e esperança, mas aonde nos levou? Você sabe a resposta. o povo americano é o mais bem informado da história da civilização - e também o mais confuso. Alunos do curso secundário conhecem mais sobre as leis físicas do universo do que os maiores cientistas da época de Aristóteles. E embora nossas cabeças estejam abarrotadas de conhecimento, nossos corações estão vazios.
O caminho mais brilhante e convidativo de todos era aquele denominado "padrões de vida mais elevados". Quase todos achavam que poderiam confiar neste caminho para chegar de modo automático àquele mundo melhor e mais feliz. acreditava-se que esta era a rota certa. Esta era a rota que "bastava apertar o botão para chegar lá"! Este era o caminho que passava pelos anúncios coloridos das revistas, por todos os carros novos e cintilantes, pelas fileiras reluzentes de geladeiras elétricas e máquinas de lavar automáticas, por todos os frangos gordos cozinhando em novíssimas panelas com fundo de cobre. Sabíamos que desta vez nós tínhamos acertado!
Muito bem, olhe à sua volta neste exato instante. Neste momento preciso da história, você vê nos Estados Unidos um país que possui um grau de liberdade política jamais sonhado em muitas partes do mundo civilizado. Você vê o maior e mais abrangente sistema de educação já criado pelo homem, e somos elogiados tanto aqui como no exterior por nosso elevado padrão de vida. "O modo de vida americano" é com o gostamos de chamar esta nossa economia cromada, por completo eletrificada e automática - mas será que ela nos faz felizes? Será que nos trouxe a alegria, a satisfação e a razão de viver que buscávamos?
Não. Enquanto estamos aqui nos sentindo convencidos e orgulhosos de termos realizado tantas coisas apenas imaginadas pelas gerações anteriores; enquanto transpomos nossos oceanos em horas ao invés de meses; enquanto produzimos remédios milagrosos que eliminam algumas das doenças mais temidas pelo homem; enquanto construímos edifícios que fazem a Torre de Babel parecer um formigueiro; enquanto aprendemos cada vez mais sobre os mistérios das profundezas do mar e penetramos cada vez mais longe no espaço cósmico, será que reduzimos um pouquinho sequer aquela nossa sensação de vazio? Será que todas estas maravilhas modernas nos proporcionam uma sensação de realização, será que ajudam a explicar por que estamos aqui, será que indicam o que temos a aprender?
Ou aquela terrível sensação de vazio persiste? Será que cada nova descoberta da magnitude do universo nos consola ou nos faz sentir mais sozinhos e desamparados do que nunca? Estaria o antídoto para o medo e o ódio e a corrupção humanas em alguma proveta de laboratório ou no telescópio de um astrônomo?
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