Você sabia que na lista dos livros mais lidos no Brasil, “Cinquenta Tons de Cinza” está exatamente em primeiro lugar? Provavelmente você já tenha ouvido falar ou até mesmo leu o livro. Do que se trata esse "sucesso" literário? A trilogia de vendas se apresenta como uma ficção-romance, mas na verdade, o livro é poderia ser classificado como gênero "pornô", pois como a própria autora afirmou, “Não quero nem imaginar meus garotos lendo Cinquenta Tons.” O problema é que todos estão lendo, inclusive adolescentes. Ficou curioso para conhecer a história?
UM RESUMO DA ESTÓRIA.
A ficção conta a história de Anastasia Steele, uma jovem e ingênua — para não dizer besta — estudante de literatura que aos 21 anos nunca teve um namorado e ainda é virgem. Ana, como prefere ser chamada, é uma mulher bonita, inteligente, mas extremamente desastrada. Ela mora com a amiga chamada Kate que estuda jornalismo.
Kate consegue marcar um horário para entrevistar Christian Grey, um bilionário de 28 anos muito bem sucedido na vida. Porém acontece um imprevisto, Kate adoece e não pode mais realizar a entrevista. Com esse problema, ela pede que Ana entreviste o bilionário no seu lugar. Ela aceita o convite, mas nem imagina que sua vida mudaria para sempre após aquele dia.
Quando Ana e Christian se conhecem, logo sentem uma forte atração um pelo outro e, embora não tenham nada em comum, começam a namorar. Mas, em vez de propor casamento Christian espera que Ana se torne sua escrava sexual e principal objeto de prazer. Ele tem um cômodo em sua casa chamado “quarto da dor”, todo equipado com cama gigante, almofadas confortáveis, chicotes, coleiras, correntes, algemas e todo o aparato necessário para intensas sessões de sexo sadomasoquistas.
Ele mesmo afirma “Não sou do tipo romântico” e dá muitas provas de ser um cara totalmente estúpido. Ana naturalmente fica aterrorizada, mas, por incrível ou toscamente que pareça, fica perdidamente apaixonada por ele e se dispõe à total submissão, açoitamento, palmadas, olhos vendados, punhos atados e nenhum carinho. É um livro muito estranho, para não dizer bizarro. Mais esquisito ainda é que a relação deles é baseada num contrato opressor no qual ele é o Dominador e ela, a Submissa. Um dos itens diz assim:
“O Dominador pode usar o corpo da Submissa a qualquer momento durante as Horas Designadas, ou em quaisquer horas extras acordadas, da maneira que julgar apropriada, sexualmente ou de outra maneira qualquer.” E o pior de tudo:
“O Dominador pode disciplinar a Submissa conforme o necessário para assegurar que a Submissa valorize plenamente seu papel. […] O Dominador pode açoitar, espancar, chicotear ou castigar fisicamente a Submissa como julgar apropriado, para fins de disciplina, para seu prazer pessoal, ou por qualquer outra razão, a qual não é obrigado a explicar.”
Dá para entender uma loucura dessas? Porém, o pior está por vir. Algo que me impressionou enquanto pesquisava sobre o livro foi a quantidade de meninas, mães, divorciadas e afins, completamente apaixonadas por Christian, o biolionário sadomasoquista. Ele, diferente de Ana, — que vai se mostrando como uma mocinha boboca e sem graça — rouba a cena e conquista o coração do leitor. Como isso pode acontecer?
1. QUAL É A RAZÃO DO SUCESSO?
Durante a trilogia ele vai se mostrando um cara mais misterioso do que no início. Christian tem traumas de infância que Ana o ajuda a enfrentar. Ele é um cara que, embora louco por um tipo de sexo torturador, elogia e levanta a moral de Ana o tempo todo. Além disso, diferente dos homens omissos inspirados em “Homer Simpson”, Christian é um cara de atitude. Ele traz o dinheiro para a casa, sempre toma a iniciativa, faz tudo aquilo que Ana espera que ele faça e está presente ao seu lado dando toda a atenção.
O livro é muito repetitivo, principalmente pela quantidade de vezes que o cara elogia a menina porque ela morde os lábios quando está envergonhada ou qualquer coisa do tipo. Para nós homens o livro fica muito cansativo, mas para a maioria esmagadora de leitores do livro, 85% de mulheres, isso é apaixonante — fazer o que!?
Outra coisa que pode agradar as mulheres é que em alguns momentos aquele “ogro” se comporta como um “fofo”. Ele sofreu uma variedade de abusos quando era criança e isso afetou drasticamente a maneira com a qual se relaciona com as pessoas. Grey é um homem atormentado por demônios do passado e consumido pela necessidade de controle. Nós homens achamos isso um saco, mas alguns defendem que “toda mulher que se preza acha que vai consertar os homens. É por isso que a mulherada se mete em relacionamentos furados, elas acham que podem mudar o homem.” Muita verdade nisso também. Essas são algumas razões pelas quais as mulheres consideram Christian Grey o cara “perfeito”.
Podemos perguntar o que pode haver por trás de um livro tão imoral, violento, machista, pornográfico e com alguns insights de romance como este? Embora não recomende o livro para ninguém como uma “leitura edificante”, ele expressa de forma clara os desejos da sociedade em que vivemos.
O livro é um “Raio X” dos relacionamentos pós-modernos. Por trás das loucuras e mistérios de Cinquenta Tons de Cinza estão pessoas com 1. Desejo compulsivo pelo proibido; 2. Anseio “animal” pela sexualidade; 3. Vontade de viver aventuras fora da normalidade; 4. Sonho de viver uma paixão arrebatadora. Na minha opinião, o livro tem impressionado tanto o nosso mundo pela simples razão de narrar qual é o “conto de fadas” do século XXI. Nossa época experimenta uma crise total nos relacionamentos. Nós queremos viver uma história que fuja da pretensa “normalidade.”
2. QUAL É A INTENÇÃO POR TRÁS DO LIVRO?
Embora bem tosca, a história do livro nos prende. Concordo com alguns que a contribuição de 50 Tons de Cinza para a história da literatura mundial pode ser igual a contribuição do McDonalds para a nutrição, rs. Um dos recursos artísticos mais usados hoje em dia pela literatura e cinema é aquele de “inocentar os vilões”. Isso acontece em “Meu malvado favorito”, “Malévola”, “Breaking Bad”, nós torcemos para eles, não dá para negar. Aquela noção de vilão vai desaparecendo e começamos a nos apaixonar pelo lado “bom” deles. Sem duvidas, isso também acontece em Cinquenta Tons de Cinza, pois o sadomasoquista Christian Grey vira um personagem admirado e apaixonante.
Um dos problemas é que através dessa técnica, Cinquenta Ton de Cinza nos seduz para negociarmos nossos valores em troca da felicidade. Vivemos num mundo cada vez mais frustrado com o conceito de “família perfeita.” O que é comum hoje são as famílias mosaico: vários maridos, esposas, filhos de pais e mães diferentes convivendo na mesma conjuntura familiar. Adolescentes experimentando o sexo cada vez mais cedo, a pedofilia na maioria dos casos acontecendo dentro da própria casa, além da busca sexual a qualquer preço, em qualquer hora, em qualquer lugar, com qualquer pessoa. Estamos buscando a felicidade, por que não através da loucura?
Todos tem o direito de serem felizes, mas o livro cria uma espécie de “negociação” na mente das mulheres — de alguns homens também: Vale a pena abrir mão dos nossos princípios por causa de uma grande paixão? É, para a autora, vale. Geralmente as mulheres se sentem seguras e desejam um homem bem resolvido. E com muitas descrições, E. L. James pinta a imagem de um cara de 28 anos (não 48), rico, que transa muito bem e dá toda atenção às mulheres, e etc., só tem um probleminha, ele tortura e, muito! Mas convenhamos, com um homem desse, essa “tortura” pode muito bem ser negociada… Será?
Na minha percepção existem muito mais “50 Tons de Frustração” do que “50 Tons de Felicidade” naqueles que estão em busca dela a qualquer preço. A felicidade não está em relacionamentos pirotécnicos, cheios de efeitos especiais. Pelo contrário, nossas paixões são frágeis, passageiras, e por mais que experimentemos aventuras loucas de amor, a segunda-feira publica no jornal da nossa consciencia: “nosso coração continua vazio, entediado e insatisfeito.” Continuamos apaixonados e ao mesmo tempo frustrados.
3. TROCANDO O CHRISTIAN GREY POR OUTRO HOMEM.
A animalidade do sexo descrita no livro não condiz com a realidade. Pensar que ela pode ser uma opção sexual viável nos torna mais animais; já mais humanos, nem pensar. Fico lembrando da minha própria história, porque sem Deus eu vivi em busca de aventuras de prazer, porém, mal sabia que a maior aventura de prazer era exatamente uma relação de amor com ele. Quando percebo o sucesso de um livro como esse, só posso imaginar quanto o amor de Deus está distante de milhões de corações. Será que Christian Grey é realmente o homem que toda mulher deveria se apaixonar? Que tal trocar Christian Grey por outro Homem? Deixo para você as minhas últimas palavras.
Não se apaixone por um homem apenas porque ele é rico, se apaixone por aquele que era rico e perdeu todas as suas riquezas por ricamente amar você. Não se apaixone por um homem que goste de te torturar, se apaixone por aquele que foi torturado para que você não sofresse mais nenhum arranhão. Não se apaixone por um homem apenas porque ele tem um belo corpo, se apaixone por aquele que se dispôs a entregar o seu próprio corpo morrendo por você.
Não se apaixone por um homem que apenas quer viver uma grande paixão momentânea, se apaixone por aquele que te ama ontem, hoje, amanhã e para sempre terá infinitos tons de amor por você. Não se apaixone por um homem só porque ele transa bem, se apaixone por aquele que abriu mão de todos os seus prazeres para que você conhecesse e desfrutasse o verdadeiro prazer.
Não se apaixone por um homem só porque ele compartilha os traumas de infância e parece ser "fofo", se apaixone por aquele que compartilhou a sua dor e sofrimento na cruz e, por isso, é o teu Salvador.
Mulheres — homens também — por favor, troquem Christian Grey por Jesus Cristo. Dentro do nosso coração existem bem mais do que "Cinquenta Tons de Cinza" de solidão. Nossa alma é um grande espaço vazio e somente Deus pode preencher nossos infinitos espaços vazios com os "Eternos Tons Vermelhos" de seu amor.
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