Nenhum destes argumentos, ou muitos outros com frequência apresentados como razões para a busca da vida com Deus, foram válidos no caso de Moisés. Ele não foi forçado a se afastar da carne nem do diabo. Fez isto porque quis. Moisés na certa não era indeciso nem sugestionável. Não era uma criança agarrando-se à segurança da ordem estabelecida. Não era uma nulidade buscando reconhecimento e prestígio. Não era nenhuma das coisas que as pessoas que zombam da religião dizem que é preciso ser para sentir a necessidade de salvação. Moisés possuía até mesmo mais do que a maioria das pessoas aspira em sonhos; no entanto, graças à maturidade de seu julgamento, na plenitude da vida deu as costas à riqueza, à posição e à estima e escolheu, ao contrário, a fé em Deus.
Toda vez que ouço dizer que apenas os desesperançados, apenas os desajustados precisam do consolo da "religião", penso em Moisés.
Tenho tido o privilégio de conversar com muitos homens e mulheres sobre problemas espirituais. Descobri que quando homens e mulheres de bom senso rejeitam Cristo como Senhor e Mestre, eles não o fazem porque acham as doutrinas cristãs intelectualmente repugnantes, mas porque procuram evitar as responsabilidades e obrigações que a vida cristã impõe. Seus corações tíbios, e não suas mentes brilhantes, colocam-se entre eles e Cristo. Não estão dispostos a se submeter e entregar tudo a Cristo.
É interessante notar que os dois homens mais usados por Deus na Bíblia (um no Velho Testamento e outro no Novo) foram também os dois mais instruídos: Moisés e Paulo.
Moisés examinou as exigências e obrigações de Deus com cuidado. Aos quarenta anos fugiu, um assassino. Aos oitenta, retornou - um líder. Percebeu que se quisesse aceitar Deus, teria que fazê-lo em detrimento das coisas a que os homens em geral têm maior apego. Não tomou uma decisão precipitada. Não chegou a conclusões mal digeridas em um impulso repentino ou em uma reação emocional. Sabia o quanto estava em jogo e chegou à sua decisão no pleno uso de suas faculdades mentais desenvolvidas e superiores. Sua escolha final não tinha a natureza de uma experiência temporária. Ele não escolheu a fé a título provisório. Foi uma convicção madura com um propósito inalterável, uma convicção que não seria abalada pelas mudanças da sorte nem pelas atribuições de privação prolongada. Ele destruiu com cuidado todas as pontes e navios que possibilitassem o recuo de sua nova posição. Quando Moisés teve seu grande momento de crise aos oitenta anos, ele se comprometeu totalmente e sem reservas, para todo o sempre e sob todas as circunstâncias, com Deus e seus desígnios.
Como foi diferente a qualidade da decisão de Moisés da do famoso biógrafo Gamaliel Bradford, que, ao se aproximar do fim da vida, disse "Não ouso ler o Novo Testamento com medo de provocar uma tempestade de ansiedade, dúvida e apreensão por ter tomado o caminho errado, por ter traído um Deus claro e simples."
Moisés não sentia tal medo. E nem você precisa temer caso se volte para Cristo de todo o coração agora e sempre pela fé. Não se volte para Ele dizendo: "Vou experimentar o Cristianismo por algum tempo. Se der certo, continuarei, caso contrário, ainda tenho tempo de escolher outro modo de vida." Quando se aceita Cristo, todas as pontes à sua retaguarda têm que ser destruídas para que jamais pense em voltar.
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