segunda-feira, 13 de abril de 2015

Fantasias Sexuais (I) - Pr. Gilson Bifano. Min. Oikos

    

                                  Essa é uma pergunta recorrente que me fazem quando ministro encontros de casais e, muitas vezes, fico em dúvidas se a pessoa que questiona quer uma resposta para uma dúvida sincera ou apenas para saber exatamente onde fica o passo anterior ao pecado e andar por ele. Mas gostaria de levar a pergunta a uma reflexão um pouco mais profunda sobre a questão da sexualidade em nossos dias. A sexualidade tem sido muita distorcida na nossa sociedade moderna. A primeira e grande das distorções à qual somos levados é a idéia de que a sexualidade é um processo exclusivamente fisiológico. A redução à ideia fisiológica do sexo como sendo algo que tem por função exclusivamente gerar um prazer sensorial e orgânico leva ao não relacionamento. A realidade que se esconde por trás de tal prática é a expressão máxima do individualismo contemporâneo. O outro serve apenas de estímulo à minha fantasia pessoal. Trata-se apenas de um objeto que alimenta meu cérebro – que, diga-se de passagem, é o nosso principal órgão sexual. Não existe afeto, não existe comprometimento, muito menos conhecimento do outro, apenas a possibilidade de se dar vazão às fantasias mais primitivas e animalescas. Segundo Favalli (2006): Sexo deixou de ser matéria oculta. Com a queda das instâncias sociais de repressão, as cenas sexuais invadiram o cotidiano de qualquer pessoa. O culto ao corpo e à sensualidade nos assola por todos os meios de comunicação. Sexo tornou-se o veículo mercantilista mais oportuno. Os comportamentos sociais e amorosos alteraram-se e o ato sexual passou ao primeiro plano das relações, em detrimento dos vínculos pessoais e afetivos (p.23) Entendo que o homem foi criado para viver EM RELAÇÃO e que sua vida ganha sentido somente quando ele desenvolve relacionamentos significativos com seus semelhantes, reflexos do relacionamento significativo que ele procura com seu criador. A epístola de João nos afirma que se alguém diz amar a Deus, mas não amar a seu irmão, na expressão concreta deste seu amor a Deus, é mentiroso (I João 4: 7-21). Ao romper seus vínculos relacionais com Deus e com o próximo na tragédia da Queda, o homem perde tal capacidade relacional e desenvolve o que um autor moderno (não-cristão) denomina de “o gene egoísta” – substrato inerente a toda a criatura e que leva o homem a ver o outro como utilitário para a consecução de seus prazeres pessoais. O outro passa a ser visto como uma oportunidade de negócio, um potencial a ser explorado, um utilitário que deve servir a seu proprietário por um determinado tempo de vida útil e que em seguida deve ser trocado por um modelo mais eficiente, moderno e se possível menos custoso. Perde-se a dimensão do outro enquanto pessoa, a dimensão de vínculos significativos que norteiem os relacionamentos. A sexualidade então passa a ter essa dimensão quase exclusivamente utilitária. Os relacionamentos afetivos são limitados ao aspecto glandular. O Outro é apreciado somente enquanto capacidade de me gerar prazer fisiológico. O máximo que se espera de um relacionamento é que ele possa proporcionar bons orgasmos. Lamentavelmente é a este reducionismo biologicista que chegamos neste início de século e milênio. Afirma Favalli (2006) O fato é que o caráter quase automático com que o sexual é praticado pretende reduzi-lo ao nível estritamente instintivo, biológico… O verdadeiro gozo sexual transforma-se na sua caricatura: o prazer desejado deve ser imediato, tão imediato que deixa de ser prazer e se faz repetição estereotipada de atos sem qualquer significação emocional (p.23) Resultante disto a necessidade de discutir o termo ‘relação sexual’. Já não se trata mais de uma relação onde duas pessoas buscam alcançar um alto nível de conhecimento um do outro – significado este implícito nas relações sexuais descritas na Bíblia: (…e conheceu a sua mulher…) através da entrega incondicional ao outro e do desfrute do relacionamento em si, como meta-entidade capaz de aproximar ambos da Imago Dei. Na medida em que se aproximam, se conhecem e se entregam incondicionalmente, são também capazes de conhecer e verdadeiro sentido do amor e, por conseguinte o próprio Criador. Relação sexual, ao contrário, passa a ter o significado, nos dias de hoje, da exclusiva conjugação carnal ou da excitação mútua que leve a tal fim, independente se tal ocorra entre conhecidos ou 

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