segunda-feira, 13 de abril de 2015

Fantasias Sexuais (II) - Pr. Gilson Bifano. Min. Oikos

          


desconhecidos, se tenham vínculos ou não, se dure minutos ou meses. O termo está mais determinado pelos hormônios que pelo afeto entre as partes. Embora reconheça que o próprio termo afeto já perdeu seu significado dentro desta esfera reducionista do biológico. Os relacionamentos estão definidos muito mais em um aspecto comercial, onde cada parte negocia suas vantagens e, sobretudo, no modelo comercial capitalista neo-liberal, no qual os mais fortes prevalecem sobre os mais fracos. Se há cem anos a repressão aparecia para Freud como a arma mais potente contra as pulsões que promovem a sexualidade e a vida, hoje ela foi substituída por um arsenal moderno e sorrateiro: o disfarce de uma hipersexualidade que sufoca a sexualidade verdadeira, transformando-a num simulacro que engana apenas quem prefere o alívio fugaz da ilusão (Favalli, 2006, p.23) Então chegamos ao elemento central da reflexão que são as fantasias sexuais. Podemos primeiramente nos perguntar de onde elas procedem? E a resposta primária é de que são criações ‘modernas’ para gerar a sensação de um maior desfrute do relacionamento íntimo, ou seja, elementos que os casais (a pessoa) podem adicionar ao seu relacionamento íntimo a fim de lhes proporcionar um maior desfrute – estas idéias são propagadas através de distintos veículos de mídia, alguns com um caráter ‘cientifico’. A pergunta central é: porque um casal precisar recorrer a ‘novas sensações’? ou buscar sensações que proporcionem um maior bem estar? E a resposta está óbvia – porque a forma como o relacionamento está estruturado não proporciona o bem-estar suficiente. Logo se recorre a algo para enfeitar uma estrutura que já está, per si, comprometida. Seria como querer enfeitar uma parede torta para ela parecer mais bonita. Se um relacionamento íntimo entre um casal não proporciona o bem-estar desejado, obviamente esta estrutura tem algum comprometimento e o primeiro passo para se descobrir o que está faltando é o diálogo – não práticas que desviem a atenção da essência. Um marido ou uma esposa deve se perguntar: o que eu posso estar fazendo que minha esposa não se sente segura o suficiente para entregar-se plenamente ao momento de intimidade e desfrutar de todo o potencial prazeroso que o mesmo tem? Estou buscando somente meus interesses? Estou preocupado com a pessoa do outro, seu bem-estar ou só com a minha capacidade de chegar ao orgasmo. Meu interesse pelo outro vai além do fisiológico? São questões honestas que cada cônjuge de se fazer e que podem levar a um nível mais profundo de diálogo que ultrapasse em muito as idéias midiáticas de sexo em uma piscina de motel ou numa banheira cheia de champanhe, de posições mirabolantes do Kama Sutra ou pior, as idéias perversas de elementos que podem ser encontrados em Sex Shops e filmes pornográficos. Quando o outro não é mais a PESSOA de meu encantamento, a quem eu honro e respeito acima de qualquer outra pessoa e passar a ser o OBJETO ao qual eu uso para atingir meus orgasmos e ter sensações fisiológicas, então o relacionamento está indicando que se distanciou muito do propósito de Deus para o casamento e do desfrute da sexualidade. Certa ocasião um colega psicólogo ‘terapeuta familiar’ conversando comigo a respeito de motivos para o casamento me perguntou: porque você casou? E antes que eu pudesse responder ele respondeu por si mesmo: as pessoas casam para ter sexo! Confesso que fiquei assustado com esta formulação, especialmente vindo de um profissional cristão. Alguns anos mais tarde este profissional abandonou a esposa e envolveu-se num escandaloso affair, justificando que a esposa não lhe dava o que ele desejava sexualmente. Na verdade ele jamais soube o sentido mais profundo de um relacionamento interpessoal – apenas usou o outro como OBJETO para satisfação pessoal, o que, em determinado momento, tornou a convivência insuportável e abriu o caminho para as fantasias mais perversas, que se tornaram realidade. Quando a ternura cede espaço ao outro como OBJETO, a fantasia se torna necessária, pois com o passar do tempo, o objeto se torna enfadonho. Assim o limite das fantasias sexuais está diretamente ligado à capacidade de ver o outro como pessoa e envolvê-lo com a ternura, própria do relacional.

REFERÊNCIAS: FAVALLI, Paulo Henrique, Sexualidade Freudiana Cem Anos Depois, Psiquiatria Hoje, 27 (1), 2006, p. 23 - See more at: http://clickfamilia.org.br/oikos/?p=1311#sthash.GALKVAuU.

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