desconhecidos, se tenham vínculos ou
não, se dure minutos ou meses. O termo está mais determinado pelos hormônios
que pelo afeto entre as partes. Embora reconheça que o próprio termo afeto já
perdeu seu significado dentro desta esfera reducionista do biológico. Os relacionamentos
estão definidos muito mais em um
aspecto comercial, onde cada parte negocia suas vantagens e, sobretudo, no
modelo comercial capitalista neo-liberal,
no qual os mais fortes prevalecem sobre os mais fracos. Se há cem anos a
repressão aparecia para Freud como a arma mais potente contra as pulsões que
promovem a sexualidade e a vida, hoje ela foi substituída por um arsenal
moderno e sorrateiro: o disfarce de uma hipersexualidade que sufoca a
sexualidade verdadeira, transformando-a num simulacro que engana apenas quem
prefere o alívio fugaz da ilusão (Favalli, 2006, p.23) Então chegamos ao
elemento central da reflexão que são as fantasias sexuais. Podemos
primeiramente nos perguntar de onde elas procedem? E a resposta primária é de
que são criações ‘modernas’ para gerar a sensação de um maior desfrute do
relacionamento íntimo, ou seja, elementos que os casais (a pessoa) podem
adicionar ao seu relacionamento íntimo a fim de lhes proporcionar um maior
desfrute – estas idéias são propagadas através de distintos veículos de mídia,
alguns com um caráter ‘cientifico’. A pergunta central é: porque um casal
precisar recorrer a ‘novas sensações’? ou buscar sensações que proporcionem um
maior bem estar? E a resposta está óbvia – porque a forma como o relacionamento
está estruturado não proporciona o bem-estar suficiente. Logo se recorre a algo
para enfeitar uma estrutura que já está, per si, comprometida. Seria como
querer enfeitar uma parede torta para ela parecer mais bonita. Se um
relacionamento íntimo entre um casal não proporciona o bem-estar desejado,
obviamente esta estrutura tem algum comprometimento e o primeiro passo para se
descobrir o que está faltando é o diálogo – não práticas que desviem a atenção
da essência. Um marido ou uma esposa deve se perguntar: o que eu posso estar
fazendo que minha esposa não se sente segura o suficiente para entregar-se
plenamente ao momento de intimidade e desfrutar de todo o potencial prazeroso
que o mesmo tem? Estou buscando somente meus interesses? Estou preocupado com a
pessoa do outro, seu bem-estar ou só com a minha capacidade de chegar ao
orgasmo. Meu interesse pelo outro vai além do fisiológico? São questões
honestas que cada cônjuge de se fazer e que podem levar a um nível mais
profundo de diálogo que ultrapasse em muito as idéias midiáticas de sexo em uma
piscina de motel ou numa banheira cheia de champanhe, de posições mirabolantes
do Kama Sutra ou pior, as idéias perversas de elementos que podem ser
encontrados em Sex Shops e filmes pornográficos. Quando o outro não é mais a
PESSOA de meu encantamento, a quem eu honro e respeito acima de qualquer outra
pessoa e passar a ser o OBJETO ao qual eu uso para atingir meus orgasmos e ter
sensações fisiológicas, então o relacionamento está indicando que se distanciou
muito do propósito de Deus para o casamento e do desfrute da sexualidade. Certa
ocasião um colega psicólogo ‘terapeuta familiar’ conversando comigo a respeito
de motivos para o casamento me perguntou: porque você casou? E antes que eu
pudesse responder ele respondeu por si mesmo: as pessoas casam para ter sexo!
Confesso que fiquei assustado com esta formulação, especialmente vindo de um
profissional cristão. Alguns anos mais tarde este profissional abandonou a
esposa e envolveu-se num escandaloso affair, justificando que a esposa não lhe
dava o que ele desejava sexualmente. Na verdade ele jamais soube o sentido mais
profundo de um relacionamento interpessoal – apenas usou o outro como OBJETO
para satisfação pessoal, o que, em determinado momento, tornou a convivência
insuportável e abriu o caminho para as fantasias mais perversas, que se
tornaram realidade. Quando a ternura cede espaço ao outro como OBJETO, a
fantasia se torna necessária, pois com o passar do tempo, o objeto se torna
enfadonho. Assim o limite das fantasias sexuais está diretamente ligado à
capacidade de ver o outro como pessoa e envolvê-lo com a ternura, própria do
relacional.Dos acontecimentos do dia a dia... Do coração da Bíblia surgirão mensagens que te levarão à reflexão.
segunda-feira, 13 de abril de 2015
Fantasias Sexuais (II) - Pr. Gilson Bifano. Min. Oikos
desconhecidos, se tenham vínculos ou
não, se dure minutos ou meses. O termo está mais determinado pelos hormônios
que pelo afeto entre as partes. Embora reconheça que o próprio termo afeto já
perdeu seu significado dentro desta esfera reducionista do biológico. Os relacionamentos
estão definidos muito mais em um
aspecto comercial, onde cada parte negocia suas vantagens e, sobretudo, no
modelo comercial capitalista neo-liberal,
no qual os mais fortes prevalecem sobre os mais fracos. Se há cem anos a
repressão aparecia para Freud como a arma mais potente contra as pulsões que
promovem a sexualidade e a vida, hoje ela foi substituída por um arsenal
moderno e sorrateiro: o disfarce de uma hipersexualidade que sufoca a
sexualidade verdadeira, transformando-a num simulacro que engana apenas quem
prefere o alívio fugaz da ilusão (Favalli, 2006, p.23) Então chegamos ao
elemento central da reflexão que são as fantasias sexuais. Podemos
primeiramente nos perguntar de onde elas procedem? E a resposta primária é de
que são criações ‘modernas’ para gerar a sensação de um maior desfrute do
relacionamento íntimo, ou seja, elementos que os casais (a pessoa) podem
adicionar ao seu relacionamento íntimo a fim de lhes proporcionar um maior
desfrute – estas idéias são propagadas através de distintos veículos de mídia,
alguns com um caráter ‘cientifico’. A pergunta central é: porque um casal
precisar recorrer a ‘novas sensações’? ou buscar sensações que proporcionem um
maior bem estar? E a resposta está óbvia – porque a forma como o relacionamento
está estruturado não proporciona o bem-estar suficiente. Logo se recorre a algo
para enfeitar uma estrutura que já está, per si, comprometida. Seria como
querer enfeitar uma parede torta para ela parecer mais bonita. Se um
relacionamento íntimo entre um casal não proporciona o bem-estar desejado,
obviamente esta estrutura tem algum comprometimento e o primeiro passo para se
descobrir o que está faltando é o diálogo – não práticas que desviem a atenção
da essência. Um marido ou uma esposa deve se perguntar: o que eu posso estar
fazendo que minha esposa não se sente segura o suficiente para entregar-se
plenamente ao momento de intimidade e desfrutar de todo o potencial prazeroso
que o mesmo tem? Estou buscando somente meus interesses? Estou preocupado com a
pessoa do outro, seu bem-estar ou só com a minha capacidade de chegar ao
orgasmo. Meu interesse pelo outro vai além do fisiológico? São questões
honestas que cada cônjuge de se fazer e que podem levar a um nível mais
profundo de diálogo que ultrapasse em muito as idéias midiáticas de sexo em uma
piscina de motel ou numa banheira cheia de champanhe, de posições mirabolantes
do Kama Sutra ou pior, as idéias perversas de elementos que podem ser
encontrados em Sex Shops e filmes pornográficos. Quando o outro não é mais a
PESSOA de meu encantamento, a quem eu honro e respeito acima de qualquer outra
pessoa e passar a ser o OBJETO ao qual eu uso para atingir meus orgasmos e ter
sensações fisiológicas, então o relacionamento está indicando que se distanciou
muito do propósito de Deus para o casamento e do desfrute da sexualidade. Certa
ocasião um colega psicólogo ‘terapeuta familiar’ conversando comigo a respeito
de motivos para o casamento me perguntou: porque você casou? E antes que eu
pudesse responder ele respondeu por si mesmo: as pessoas casam para ter sexo!
Confesso que fiquei assustado com esta formulação, especialmente vindo de um
profissional cristão. Alguns anos mais tarde este profissional abandonou a
esposa e envolveu-se num escandaloso affair, justificando que a esposa não lhe
dava o que ele desejava sexualmente. Na verdade ele jamais soube o sentido mais
profundo de um relacionamento interpessoal – apenas usou o outro como OBJETO
para satisfação pessoal, o que, em determinado momento, tornou a convivência
insuportável e abriu o caminho para as fantasias mais perversas, que se
tornaram realidade. Quando a ternura cede espaço ao outro como OBJETO, a
fantasia se torna necessária, pois com o passar do tempo, o objeto se torna
enfadonho. Assim o limite das fantasias sexuais está diretamente ligado à
capacidade de ver o outro como pessoa e envolvê-lo com a ternura, própria do
relacional.
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